João Almeida na Vuelta 2026: classificação e etapas que podem decidir a corrida

A segunda semana da Vuelta 2026 já está em andamento e João Almeida continua longe da luta pela camisola vermelha. O português voltou à estrada depois do primeiro dia de descanso, mas as etapas 10 e 11 não trouxeram sinais claros de recuperação na classificação geral.
Esta quarta-feira, na ligação de 153,8 quilómetros entre Cartagena e Lorca, Almeida terminou no 118.º lugar, a 6m19s de Matthew Brennan, vencedor da etapa. Com este resultado, o corredor da UAE Team Emirates-XRG ocupa agora o 121.º lugar da classificação geral, a 1h51m43s do líder Enric Mas.
A corrida muda de cenário já na quinta-feira, 3 de setembro. A chegada a Calar Alto abre uma sequência muito mais exigente e será um teste importante para perceber até onde Almeida pode chegar nesta segunda semana: se consegue recuperar sensações para procurar uma fuga ou se a sua Vuelta ficará mais ligada ao trabalho para a equipa.
Classificação de João Almeida na Vuelta 2026
Enric Mas continua de camisola vermelha depois da 11.ª etapa. O espanhol da Movistar tem 1m18s de vantagem sobre Primož Roglič e 1m39s sobre Felix Gall. Oscar Onley e Richard Carapaz mantêm-se no quarto e quinto lugares.
A situação da classificação da Vuelta 2026, após a chegada a Lorca, é esta:
Almeida está, portanto, praticamente uma hora e 52 minutos atrás do líder. A classificação geral deixou há vários dias de ser um objetivo realista e o interesse em torno do português passa agora por perceber se conseguirá aproveitar a montanha para tentar algo diferente.
O atraso também altera a forma como os rivais podem olhar para os seus movimentos. Um Almeida colocado tão longe na geral representa muito menos perigo para os candidatos à camisola vermelha, o que poderá facilitar uma eventual presença numa fuga. Isso dependerá, naturalmente, da condição física do português e da estratégia da UAE.
João Almeida voltou a perder tempo depois do descanso
O primeiro dia de descanso não provocou uma mudança imediata no rendimento de João Almeida.
Na terça-feira, na 10.ª etapa entre Alcaraz e Elche de la Sierra, o português terminou no 129.º lugar, a 8m29s de Bastien Tronchon, que venceu a etapa.
Esta quarta-feira voltou a ceder terreno. Matthew Brennan venceu ao sprint em Lorca, enquanto Almeida chegou no 118.º posto, a 6m19s. Enric Mas terminou integrado no grupo da frente e não perdeu tempo para os principais adversários, pelo que a diferença do português para a liderança voltou a aumentar.
O cenário reforça uma ideia que já era clara antes do descanso: João Almeida não está a disputar a classificação geral da Vuelta 2026. A questão passa agora por saber se conseguirá recuperar suficiente condição para ter liberdade e pernas para procurar uma vitória numa das etapas que ainda faltam.
O que aconteceu a João Almeida na Vuelta?
A classificação geral começou a ficar comprometida na 4.ª etapa, disputada nas montanhas de Andorra.
Almeida sofreu um furo numa fase inicial da jornada e teve de gastar energia para regressar ao pelotão. Mais tarde, quando o ritmo aumentou, não conseguiu acompanhar os principais candidatos e terminou no 115.º lugar, a 22m45s de Tadej Pogačar. O próprio português reconheceu depois que também não se tinha sentido bem nesse dia.
A situação agravou-se no Alto de Aitana. Na 9.ª etapa, Almeida foi 65.º, a 19m56s de Enric Mas, resultado que confirmou definitivamente que a luta pelos primeiros lugares estava fora do alcance.
Desde então, o objetivo mudou. Em vez de recuperar posições na geral, o português pode procurar uma oportunidade numa fuga, tentar reencontrar o melhor nível nas jornadas de montanha ou assumir um papel de apoio aos interesses da UAE Team Emirates-XRG.
Qual é a próxima etapa de João Almeida?
A próxima etapa de João Almeida será uma das mais importantes da segunda semana. A 12.ª tirada disputa-se esta quinta-feira, 3 de setembro, entre Vera e Calar Alto.
A organização apresenta cinco contagens de montanha ao longo dos 166,6 quilómetros. O percurso começa pelo Alto del Cabecico, passa pelo Alto de Cóbdar e pelo Collado Garcia, mas a verdadeira seleção deverá acontecer nos últimos 31 quilómetros.
Primeiro aparece o Alto de Velefique, de 1.ª categoria, com 13,1 quilómetros a 7,2%. Depois da descida, não haverá praticamente descanso antes da subida final para Calar Alto.
Calar Alto será o grande teste para Almeida
A chegada a Calar Alto tem 16,9 quilómetros a 5,6% de inclinação média e termina a 2153 metros de altitude. É uma subida longa, feita depois do desgaste de Velefique, e reúne condições para provocar diferenças importantes entre Enric Mas, Primož Roglič, Felix Gall, Oscar Onley e Richard Carapaz.
Para João Almeida, a leitura é diferente.
Em condições normais, uma subida longa e regular deste género encaixa bem nas características do português. O problema é o rendimento que apresentou até agora. Depois de perder quase 20 minutos em Aitana, mais 8m29s na terça-feira e outros 6m19s esta quarta-feira, não seria realista colocá-lo entre os favoritos à vitória em Calar Alto.
Calendário da Vuelta: o que falta na segunda semana
Depois das etapas já disputadas em Elche de la Sierra e Lorca, restam quatro jornadas antes do segundo dia de descanso, marcado para segunda-feira, 7 de setembro.
O calendário oficial deixa duas etapas especialmente marcadas para a luta pela geral: Calar Alto e Sierra de La Pandera, ambas com chegada em alto. Pelo meio, a longa jornada entre Almuñécar e Loja também oferece terreno para ataques e fugas.
Etapa 13: terreno para atacar entre Almuñécar e Loja
Na sexta-feira, o pelotão enfrentará 192,8 quilómetros entre Almuñécar e Loja, numa jornada de média montanha com três subidas categorizadas.
A primeira dificuldade é a Venta de la Cebada, de 1.ª categoria, com 14,1 quilómetros a 5,1%. Seguem-se o Alto del Legionario, de 3.ª categoria, e o Puerto de Granada, de 2.ª categoria, com 7,4 quilómetros a 5,6%. O topo desta última subida surge a 37,4 quilómetros da chegada.
Etapa 14: Sierra de La Pandera pode mexer com a geral
O sábado traz outra das etapas-chave desta Vuelta: 154,5 quilómetros entre Jaén e Sierra de La Pandera.
A parte decisiva concentra três subidas. Los Villares apresenta 10,5 quilómetros a 5,4%, o Puerto de Locubín tem 8,7 quilómetros a 5,1% e, por fim, chega a Sierra de La Pandera.
A subida final é de 1.ª categoria e tem 11,9 quilómetros a 7,2%, com a meta situada a 1820 metros de altitude. Pela dureza do final e pelo desgaste acumulado, é uma das jornadas com maior potencial para mexer na classificação entre Mas, Roglič e os restantes candidatos à vitória final.
Etapa 15: última oportunidade antes do descanso
A segunda semana termina no domingo com 189,7 quilómetros entre Palma del Río e Córdoba.
A etapa é considerada de média montanha e inclui três contagens de 3.ª categoria: Puerto de la Forestal, Alto de Villaviciosa de Córdoba e Puerto de Artafi. Esta última subida apresenta 5,9 quilómetros a 5,6% e termina a 36,6 quilómetros da meta.
Sem uma chegada em alto e já depois de dois dias muito exigentes, o percurso poderá favorecer uma fuga. Será também a última etapa antes do descanso de segunda-feira, 7 de setembro.
João Almeida ainda pode ganhar uma etapa?
A classificação geral está perdida e isso altera a corrida de Almeida. Com quase duas horas de atraso para Enric Mas, o português poderá ter mais liberdade para integrar uma fuga do que teria se continuasse perto dos primeiros lugares.
Calar Alto, a etapa até Loja e Sierra de La Pandera oferecem-lhe terreno interessante. Ainda assim, o que Almeida mostrou nas últimas jornadas recomenda prudência: perdeu 19m56s em Aitana, 8m29s na etapa 10 e 6m19s na etapa 11.
Por isso, Calar Alto será a referência mais importante nesta quinta-feira. Mais do que olhar para a posição final, será importante perceber como responde Almeida quando a estrada voltar a inclinar a sério. Uma melhoria poderá abrir a porta a uma tentativa de vitória mais adiante. Novo tempo perdido deixaria o foco cada vez mais centrado no trabalho de equipa e em oportunidades muito específicas.
Resultados de João Almeida na Vuelta 2026
João Almeida já não está na corrida pela camisola vermelha, mas a Vuelta ainda lhe oferece terreno para tentar mudar o rumo da prova. A chegada a Calar Alto será o primeiro grande teste depois de duas etapas em que voltou a perder tempo. A partir daí ficará mais claro se o português tem condições para procurar uma fuga e lutar por um triunfo numa etapa de montanha ou se a prioridade passará sobretudo pelos objetivos coletivos da UAE Team Emirates-XRG.
Última atualização: quarta-feira, 2 de setembro de 2026, após a 11.ª etapa da Vuelta.








