Mundial de Ciclismo 2026: quando corre João Almeida, portugueses, horários e percurso

E não vai estar sozinho. Portugal apresenta seis corredores numa prova com 273,7 quilómetros e 3.803 metros de desnível acumulado, desenhada para pesar nas pernas muito antes da discussão das medalhas. João Almeida, Afonso Eulálio e António Morgado surgem como nomes capazes de aparecer nos momentos mais exigentes, mas a seleção leva soluções para diferentes cenários.
Quando corre João Almeida no Mundial de Ciclismo 2026?
O português entra em ação na prova de fundo masculina no domingo, 27 de setembro, às 14h00, no horário de Portugal continental.
A partida será dada no Quartier DIX30, em Brossard, às 09h00 locais. A chegada a Montreal está prevista para perto das 15h40 no Canadá, aproximadamente 20h40 em Portugal continental, embora o horário final dependa naturalmente do andamento da corrida.
Será um dos momentos mais aguardados do Mundial de Ciclismo 2026 para Portugal, com seis corredores portugueses no pelotão:
- João Almeida — UAE Team Emirates-XRG
- Afonso Eulálio — Bahrain Victorious
- António Morgado — UAE Team Emirates-XRG
- Ivo Oliveira — UAE Team Emirates-XRG
- Nelson Oliveira — Movistar Team
- Tiago Antunes — Efapel Cycling
É uma seleção com perfis diferentes, algo particularmente útil numa corrida tão longa. Entre os portugueses no Mundial de Ciclismo, há trepadores, corredores resistentes, especialistas em esforços prolongados e homens capazes de entrar em movimentos de antecipação.
Calendário do Mundial de Montreal 2026
O Mundial Montreal 2026 decorre entre 20 e 27 de setembro. O programa inclui contrarrelógios individuais, estafeta mista e provas de fundo para elites, sub-23 e juniores.
Portugal terá representantes em várias categorias. Entre os horários portugueses mais relevantes aparecem Raquel Dias às 14h00 de 24 de setembro, os sub-23 masculinos às 14h00 do dia 25, Beatriz Roxo, Daniela Campos e Raquel Queirós às 14h00 de sábado e, finalmente, os seis homens da elite às 14h00 de domingo.
Um percurso feito para desgastar o pelotão
O traçado masculino não deixa muito espaço para esconder um dia menos conseguido. São 273,7 km e 3.803 metros de subida acumulada, começando em Brossard e terminando junto ao Parc Jeanne-Mance, em Montreal.
Depois da aproximação à cidade, chega a fase mais seletiva. Os corredores enfrentam 12 voltas a um circuito de 13,4 km em torno do Mont-Royal, inspirado em boa parte no percurso conhecido do Grand Prix Cycliste de Montréal.
Entre os pontos capazes de fazer diferenças aparecem:
- Voie Camillien-Houde, com 2,3 km a cerca de 6,2%.
- Chemin de la Polytechnique, com rampas acima dos 11%.
- Avenue du Parc, num falso plano ascendente até à chegada.
- Doze passagens pelo circuito final, acumulando desgaste volta após volta.
Camillien-Houde não assusta tanto pela inclinação isolada, mas pela repetição. Depois de várias horas de corrida, cada passagem terá mais peso. A Polytechnique acrescenta rampas mais agressivas e a chegada não oferece propriamente um terreno para recuperar.
Tudo indica uma prova onde guardar energia será tão importante como saber atacar.
Que hipóteses tem João Almeida em Montreal?

João Almeida chega como uma das principais referências de Portugal. A sua experiência em Grandes Voltas e a capacidade para manter rendimento durante muitas horas encaixam num Mundial com quase 274 quilómetros e milhares de metros de desnível.
O percurso oferece terreno para Almeida chegar longe se a corrida for endurecida progressivamente. A resistência joga a seu favor, sobretudo se o grupo principal entrar nas últimas voltas já bastante reduzido.
Terá, ainda assim, de escolher bem quando responder aos ataques. Gastar demasiado cedo num percurso deste género costuma sair caro.
Afonso Eulálio chega com argumentos fortes

Afonso Eulálio também merece atenção. O português terminou o Mundial de Kigali de 2025 em nono lugar e continuou a dar passos em frente durante 2026.
Eulálio oferece a Portugal uma alternativa especialmente interessante se Almeida estiver muito vigiado. Pode acompanhar movimentos mais cedo ou aproveitar um grupo reduzido nas últimas voltas.
Ter mais do que uma opção competitiva evita que Portugal tenha de concentrar todo o plano num único corredor.
António Morgado traz potência para as voltas decisivas

A sua potência e aceleração tornam-no particularmente interessante num Mundial onde a corrida poderá ficar bastante partida.
Se o grupo principal chegar relativamente numeroso às últimas voltas, Morgado tem características para entrar em ataques ou acompanhar acelerações fortes antes da chegada.
Também será uma peça importante para evitar que Almeida e Eulálio tenham de reagir a todos os movimentos.
Ivo Oliveira pode antecipar movimentos

Ivo Oliveira oferece outro tipo de solução. A sua resistência, velocidade e experiência em provas longas fazem dele um corredor útil para controlar fases intermédias ou entrar num grupo perigoso antes de começarem os ataques dos principais nomes.
Num Mundial, estar representado numa fuga certa pode poupar bastante energia aos líderes da equipa.
A sua função poderá passar menos pela espera da última volta e mais por obrigar outras seleções a mexerem-se antes.
Nelson Oliveira acrescenta experiência e leitura de corrida

Nelson Oliveira entra num perfil semelhante em termos de experiência, mas com características próprias. É um corredor habituado a provas extensas, capaz de manter ritmos elevados durante longos períodos e com bastante leitura tática.
Terminou o contrarrelógio individual em 21.º lugar, muito perto de Ivo Oliveira.
Numa prova de quase 274 quilómetros, essa experiência conta. Nelson pode trabalhar na aproximação ao circuito, ajudar no posicionamento e acompanhar movimentos que Portugal não queira deixar ganhar demasiado espaço.
Caso a corrida fique caótica cedo, ter um corredor experiente nestas situações dá à equipa mais margem para reajustar o plano sem que Almeida tenha de gastar energia desnecessariamente.
Tiago Antunes completa o leque de alternativas

O português tem características interessantes para entrar em fugas ou movimentos intermédios, sobretudo numa fase em que as principais seleções ainda estejam a guardar os seus líderes.
Se conseguir colocar-se num grupo bem composto, poderá obrigar rivais a assumir a perseguição. Esse tipo de cenário dá mais liberdade a Almeida, Eulálio ou Morgado para permanecerem protegidos no pelotão.
Mesmo que não chegue diretamente à discussão das medalhas, a presença de Antunes acrescenta profundidade a uma seleção que não depende apenas de três nomes.
O que vale a pena seguir nas últimas voltas
Em Montreal, não será preciso esperar pela última subida para perceber quem chega com pernas. O mais interessante será ver como Portugal protege João Almeida e se Afonso Eulálio ou António Morgado ganham liberdade para mexer na corrida mais cedo.
Nas voltas finais, vale a pena estar atento a três pontos:
- O ritmo no Mont-Royal
- Os ataques antes da última volta
- A posição de Almeida antes de Camillien-Houde
Se Portugal conseguir chegar bem colocado à fase decisiva, a corrida pode abrir várias possibilidades. Num percurso tão desgastante, uma aceleração bem medida pode mudar tudo em poucos minutos.







