Quantos pontos são necessários para passar à próxima fase da Champions?

A nova Champions já nos deixou uma coisa bastante clara: 16 pontos são a grande referência para quem quer entrar diretamente nos oitavos de final. Nas duas primeiras épocas disputadas com o atual formato, foi exatamente essa a pontuação do oitavo classificado.
Mas não existe um número oficialmente definido pela UEFA que garanta a passagem. Tudo depende dos resultados das 36 equipas e, em caso de igualdade pontual, entram em cena critérios como diferença de golos, golos marcados e vitórias.
Para FC Porto e Sporting, que começam esta semana a fase de liga da Champions 2026/27, as contas são particularmente interessantes. Os dragões recebem o Manchester City na terça-feira, 8 de setembro, enquanto os leões recebem o Galatasaray na quarta-feira, dia 9.
Quantos pontos são precisos para passar na Champions?
Primeiro, é importante distinguir dois objetivos.
No atual formato, as 36 equipas formam uma única classificação e cada clube disputa oito jogos, quatro em casa e quatro fora. Os oito primeiros avançam diretamente para os oitavos de final. Do 9.º ao 24.º lugar há um play-off a duas mãos e, a partir do 25.º, a equipa fica eliminada das competições europeias.
Olhando para as duas épocas já concluídas neste modelo, estas são as referências:
A conclusão mais útil é esta: 16 pontos têm sido suficientes para o top 8, enquanto a fronteira do top 24 tem variado bastante.
Há, porém, um detalhe importante: atingir a pontuação do 24.º classificado não significa necessariamente passar. Quando várias equipas terminam empatadas, a diferença de golos pode decidir tudo. Por isso, 11 ou 12 pontos são uma meta bem mais confortável para pensar no top 24, enquanto nove ou dez podem deixar uma equipa completamente dependente das contas finais.
16 pontos para o top 8: coincidência ou referência real?
Até agora, a fronteira tem sido quase perfeita.
Em 2024/25, o Aston Villa terminou em oitavo com 16 pontos e a Atalanta ficou imediatamente atrás com 15. Um ano depois, voltou a acontecer praticamente o mesmo: Manchester City, oitavo, chegou aos 16 e o Real Madrid terminou em nono com 15.
Ou seja:
- 16 pontos → top 8 nas duas épocas anteriores
- 15 pontos → fora do top 8 nas duas épocas anteriores
É uma amostra ainda curta, mas suficientemente consistente para que os clubes entrem na edição 2026/27 com os 16 pontos como principal referência.
Chegar aos 17 dá naturalmente uma margem maior. Ficar nos 15 pode significar ter uma excelente campanha e, mesmo assim, ser obrigado a disputar o play-off.
Como chegar aos 16 pontos em oito jogos?
Há várias formas de lá chegar.
Isto ajuda a perceber por que razão quatro vitórias não garantem o acesso direto. Mesmo quatro triunfos acompanhados por dois empates deixam uma equipa nos 14 pontos.
Para apontar seriamente ao top 8, cinco vitórias continuam a ser o caminho mais simples.
E quantos pontos são necessários para entrar no top 24?
Aqui existe muito mais margem.
O corte caiu de 11 pontos em 2024/25 para nove em 2025/26. Na última edição, o Benfica acabou precisamente em 24.º com nove pontos e garantiu o play-off, enquanto outras equipas com a mesma pontuação ficaram pelo caminho devido aos critérios de desempate.
É por isso que há uma diferença entre poder chegar e estar relativamente tranquilo.
- 9 pontos: pode chegar, mas é uma aposta arriscada.
- 10 ou 11 pontos: coloca normalmente uma equipa dentro da discussão.
- 12 pontos: teriam sido suficientes nas duas edições anteriores.
E há outro motivo para tentar subir o máximo possível. Os clubes classificados entre o 9.º e o 16.º lugar são cabeças de série no play-off, enquanto os que terminam entre o 17.º e o 24.º ficam do outro lado do emparelhamento.
Portanto, mesmo depois de garantir praticamente o top 24, continuar a somar pontos pode fazer diferença.
Porque é tão importante começar a ganhar?
Uma vitória na primeira jornada não decide a qualificação, mas muda logo bastante as contas.
Se tomarmos os 16 pontos como objetivo para o top 8, uma equipa que começa com três pontos fica a precisar de mais 13 nos sete jogos restantes.
Com um empate, ainda terá de conseguir 15.
Com uma derrota, continua a precisar dos 16 completos nos sete encontros seguintes.
É uma diferença significativa num calendário tão curto. Ao contrário de um campeonato nacional, aqui só existem oito jornadas. Cada vitória vale 12,5% dos jogos disponíveis na fase de liga.
É também por isso que perder pontos frente aos adversários teoricamente mais acessíveis pode pesar tanto quando chegam os jogos contra os candidatos ao título.
FC Porto começa logo com um teste ao Manchester City
O FC Porto entra na Champions 2026/27 com um calendário que mistura jogos muito exigentes com oportunidades claras para somar pontos.
Os dragões começam a 8 de setembro, em casa, frente ao Manchester City. Depois visitam o Betis e recebem PSV e Napoli. Mais tarde surgem deslocações a Feyenoord e Liverpool, antes dos dois últimos encontros com Slavia Praga e LASK.
O calendário completo é:
- FC Porto–Manchester City
- Betis–FC Porto
- FC Porto–PSV
- FC Porto–Napoli
- Feyenoord–FC Porto
- Liverpool–FC Porto
- FC Porto–Slavia Praga
- LASK–FC Porto
O arranque frente ao City é complicado, mas há uma particularidade importante: três dos quatro primeiros jogos são no Dragão.
Para uma equipa que queira aproximar-se dos 16 pontos, aproveitar essa sequência em casa pode ser decisivo antes das deslocações consecutivas a Roterdão e Liverpool.
Sporting já sabe o que é chegar aos 16 pontos
O caso do Sporting é ainda mais interessante porque os leões são uma prova recente de que a referência funciona.
Na Champions 2025/26, o Sporting terminou a fase de liga com cinco vitórias, um empate e duas derrotas: exatamente 16 pontos. Ficou no top 8 e avançou diretamente para os oitavos de final.
Agora começa uma nova campanha frente ao Galatasaray, em Alvalade, a 9 de setembro.
Segue-se este percurso:
- Sporting–Galatasaray
- Lens–Sporting
- Sporting–LASK
- Shakhtar Donetsk–Sporting
- Sporting–Manchester United
- Roma–Sporting
- Sporting–Barcelona
- Manchester City–Sporting
O calendário deixa uma mensagem bastante evidente: o Sporting tem interesse em somar o máximo possível nas primeiras quatro jornadas.
A diferença de golos também pode decidir a passagem
Há mais uma lição das primeiras edições do novo formato: não basta olhar para os pontos.
Se duas ou mais equipas terminarem empatadas, o primeiro critério utilizado pela UEFA é a diferença de golos. Depois vêm os golos marcados, os golos fora, o número de vitórias e as vitórias fora, antes de outros critérios.
Foi precisamente por existirem estes desempates que os limites do top 24 nas duas primeiras épocas não funcionaram como uma barreira matemática absoluta.
Afinal, qual deve ser o objetivo de Porto e Sporting?
Se usarmos apenas aquilo que aconteceu desde que a Champions adotou este formato, há três números fáceis de guardar:
- 16 pontos — referência para entrar diretamente nos oitavos.
- 12 pontos — teria garantido pelo menos o top 24 nas duas épocas anteriores.
- 9 a 11 pontos — zona em que a diferença de golos e os outros resultados podem tornar-se decisivos.
Nada garante que 2026/27 repita exatamente os mesmos cortes. São 36 equipas, calendários diferentes e cada clube enfrenta apenas oito adversários.
E é precisamente por isso que os primeiros três pontos podem valer muito mais do que parece em setembro.







