Quem são os favoritos a descer da Liga Portugal em 2026/27?

A Liga Portugal 2026/27 mal começou e já deixou um aviso claro: a luta pela permanência promete ser tudo menos previsível. Há recém-promovidos com vontade de baralhar as contas, equipas habituadas a viver perto da linha vermelha e projetos jovens que tanto podem surpreender como passar meses de calculadora na mão.
Plantel, capacidade financeira, experiência no primeiro escalão e primeiras sensações ajudam a perceber quem começa 2026/27 mais exposto.
Alverca: o segundo ano pode ser mais complicado?

O Alverca surge como um dos candidatos naturais a enfrentar dificuldades, mas há um pormenor importante: já provou que consegue sobreviver na elite.
Só que o verão trouxe mudanças importantes.
Custódio Castro saiu e Sérgio Ferreira assumiu o comando. O novo treinador chega depois de ter sido campeão nacional de juniores pelo FC Porto, mas esta é a sua primeira experiência como técnico principal de uma equipa sénior.
Também houve alterações consideráveis no plantel. André Gomes, Chissumba, Kaiky Naves e outros jogadores que estavam cedidos regressaram aos respetivos clubes.
Ainda assim, há margem financeira e talento. O plantel ribatejano está avaliado em aproximadamente 36,2 milhões de euros, um valor claramente superior ao de vários rivais diretos.
O arranque, porém, não trouxe festa: derrota por 2-0 frente ao campeão FC Porto, no Dragão.
Pontos que podem pesar:
- novo treinador e novas ideias.
- várias mudanças no plantel.
- equipa bastante jovem.
- maior valor de mercado do que muitos concorrentes pela permanência.
- experiência positiva de 2025/26.
O Alverca está em risco? Sim. Mas colocá-lo como principal favorito à descida parece, para já, demasiado pessimista.
Académico de Viseu: pouca experiência, mas um primeiro aviso aos grandes

Aqui temos uma das grandes incógnitas.
Em termos financeiros, parte atrás de quase toda a concorrência. O seu plantel está avaliado em cerca de 16,1 milhões de euros, o mais baixo da Liga Portugal neste momento.
Mas há jogadores interessantes.
André Clóvis marcou 23 golos na temporada da subida e foi eleito o melhor jogador do campeonato. Nomes como Anthony Correia, Soufiane Messeguem e Álvaro Zamora acrescentam qualidade a uma equipa cuja média etária ronda os 26 anos.
E depois surgiu a primeira surpresa.
Pouco orçamento comparativo? Sim. Falta de experiência recente? Também. Mas o primeiro teste deixou uma impressão bem mais positiva do que muitos esperavam.
Marítimo: um recém-promovido diferente

O Marítimo também regressou à Liga Portugal, mas não pode ser visto como um estreante.
O clube madeirense foi campeão da Liga Portugal 2 em 2025/26 e carrega décadas de experiência no principal escalão.
Contudo, experiência institucional, ambiente no Estádio do Marítimo e conhecimento do campeonato podem fazer uma diferença enorme numa corrida tão equilibrada.
E o regresso começou da melhor maneira: vitória por 1-0 diante do Casa Pia.
Por isso, apesar das limitações financeiras comparativas, o Marítimo parece partir um pequeno degrau acima de alguns rivais.
Casa Pia, Nacional e Estrela também estão debaixo do radar
Se procuramos equipas vulneráveis, não podemos olhar apenas para quem subiu.
Já Nacional e Estrela da Amadora acabaram a temporada passada com 34 e 30 pontos, respetivamente, permanecendo perto da zona perigosa.
Os valores atuais dos plantéis também mostram como a margem pode ser pequena:
Valores estimados de mercado dos plantéis, não correspondendo aos orçamentos oficiais dos clubes.
Curiosamente, o Estrela começou com um excelente 2-2 frente ao Sporting, enquanto o Nacional empatou pelo mesmo resultado com o Santa Clara.
Afinal, quem corre maior risco de descer?
O Académico tem o plantel menos valioso e quase nenhuma experiência recente na elite. O Casa Pia vem de uma época em que precisou do play-off. O Nacional continua com recursos relativamente modestos. E o Alverca inicia um novo ciclo técnico depois de várias alterações no grupo.
Marítimo e Estrela também não estão livres de perigo, mas começaram a temporada a mostrar argumentos.
E esta pode ser precisamente a história da luta pela permanência em 2026/27: há favoritos a sofrer, mas ainda não há ninguém condenado. A primeira jornada já tratou de deixar isso bem claro.





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