Sporting supera os 100 milhões em contratações: tem o plantel mais forte de Portugal?

Segundo A BOLA, os leões chegaram aos 116 milhões de euros destinados a reforços, um recorde em Alvalade. Rodrigo Zalazar, Ibrahima Ba, Issa Doumbia e Sergi Altimira lideram uma lista que deixa bem clara a ambição do projeto.
Mais talento, mais profundidade e muito mais alternativas para Rui Borges. O Sporting construiu um dos plantéis mais fortes de Portugal, embora Benfica e FC Porto ainda tenham muito a dizer.
Mais de 100 milhões para construir um novo Sporting
A dimensão da revolução percebe-se melhor quando se olha para os valores individuais.
Rodrigo Zalazar tornou-se a contratação mais cara da história do Sporting. O internacional uruguaio deixou o SC Braga por 30 milhões de euros e assinou até 2031. Chegou depois de uma temporada em que registou 23 golos e oito assistências em 47 jogos, números pouco habituais para um jogador que pode atuar atrás do avançado ou em zonas de criação.
Mas Zalazar é apenas a cabeça do cartaz.
Valor divulgado na imprensa, podendo existir componentes variáveis.
Só os quatro primeiros nomes já colocam aproximadamente 90 milhões de euros sobre a mesa. O Flashscore colocou precisamente Zalazar, Ibrahima Ba, Doumbia e Altimira entre as cinco contratações mais caras da Liga Portugal neste mercado.
Depois há Irankunda. O extremo australiano de 20 anos assinou até 2031 depois de representar o Watford e chega com uma característica que faltava ao Sporting: velocidade pura para atacar espaços e desequilibrar no um contra um. O próprio clube confirmou a contratação e destacou o impacto do jogador no último Mundial.
É muita gente. E, sobretudo, muitos perfis diferentes.
O meio-campo mudou completamente de cara
Talvez nenhuma zona explique melhor esta transformação do que o meio-campo.
Altimira acrescenta capacidade posicional, qualidade com bola e inteligência na organização. A transferência do espanhol foi comunicada por 18,25 milhões de euros fixos, podendo ainda chegar mais longe através de objetivos.
Doumbia oferece outra coisa: potência física, chegada à área e capacidade para transportar a bola.
Silas Andersen acrescenta ainda juventude, altura e margem de evolução, enquanto Pedro Lima aparece como uma solução móvel e com capacidade para jogar em diferentes funções.
Ou seja, Rui Borges não recebeu apenas substitutos. Recebeu um novo catálogo de opções.
E isso pode ser decisivo numa temporada com Liga, Taças e Champions pelo caminho.
Zalazar dá criatividade, mas o ataque continua assustador
Há ainda um detalhe importante: o Sporting não começou do zero na frente.
Luis Suárez continua a ser uma das grandes referências ofensivas depois de uma temporada de estreia impressionante, com 38 golos em 53 encontros em todas as competições. Fotis Ioannidis oferece uma alternativa de nível elevado e Rafael Nel continua a crescer como solução para o centro do ataque.
É precisamente aqui que a profundidade começa a chamar a atenção.
O Sporting pode alterar características sem necessariamente baixar muito o nível. Pode jogar com mais força física, procurar transições rápidas, carregar pelos corredores ou colocar mais criatividade entre linhas.
Afinal, é o plantel mais forte de Portugal?

O Sporting tem provavelmente um dos plantéis mais profundos da Liga e foi claramente o clube português que mais chamou a atenção pelo volume e pelo valor dos reforços.
Mas isso está longe de significar passeio.
O Benfica também entrou num novo ciclo com Marco Silva e reforçou várias zonas. Jakub Kaminski e Jhon Durán chegaram para aumentar as opções ofensivas, enquanto Alessandro Circati foi posteriormente acrescentado à defesa.
Já o FC Porto parte com uma vantagem diferente: estabilidade.
O campeão em título mexeu de forma mais cirúrgica. Hwang In-beom e André Silva chegaram para aumentar as opções, mas a principal força portista continua a estar numa estrutura que sofreu menos alterações do que as dos rivais de Lisboa.
Em futebol, conhecer os movimentos do colega sem precisar de olhar pode valer quase tanto como contratar mais um jogador.
Mais talento não significa automaticamente melhor equipa
É este o pequeno asterisco no mercado do Sporting.
Rui Borges recebeu qualidade, profundidade e características diferentes. Agora precisa de transformar tudo isso numa equipa.
E os primeiros jogos mostraram exatamente essa dualidade.
O Sporting começou a Liga com um empate por 2-2 frente ao Estrela da Amadora, apesar de Zalazar ter marcado, e depois venceu o Vitória SC por 3-2 em Alvalade. Há qualidade ofensiva evidente, mas também mecanismos ainda em construção.
É perfeitamente normal. Quando entram tantos jogadores novos, as ligações não aparecem por magia.
Algumas das grandes questões serão:
- Quem assume definitivamente o comando do meio-campo?
- Como será feita a gestão entre Luis Suárez e Ioannidis?
- Até onde pode crescer Irankunda?
- Ibrahima Ba conseguirá dar imediatamente segurança à defesa?
- Zalazar terá liberdade suficiente para aparecer perto da área?
Um Sporting preparado para atacar em várias frentes
Há uma coisa difícil de discutir: o Sporting tem armas para quase todos os cenários.
Além disso, grande parte dos reforços tem contratos longos. Não parece uma construção pensada apenas para uma temporada, mas para criar valor desportivo e financeiro durante vários anos.
Esse detalhe ajuda a explicar por que razão Alvalade aceitou quebrar recordes.
O Sporting não gastou mais de 100 milhões apenas para aumentar o número de jogadores disponíveis. Gastou para tentar mudar o patamar competitivo da equipa.
Então, o Sporting tem mesmo o melhor plantel?
Em profundidade, juventude e variedade de soluções, há argumentos fortes para dizer que sim.
Zalazar aumenta o talento ofensivo, Doumbia e Altimira remodelam completamente o centro do terreno, Ibrahima Ba reforça a defesa e Irankunda acrescenta uma dose de imprevisibilidade que pode fazer diferença em jogos fechados.
Mas o título de “melhor plantel de Portugal” ainda não se conquista no mercado.
Por isso, os 100 milhões contam uma história importante, mas não contam a história toda.
O Sporting comprou talento. Comprou profundidade. Comprou alternativas.
Agora falta comprar aquilo que nenhum cheque garante: entrosamento, regularidade e vitórias quando a margem de erro desaparecer.
Se Rui Borges conseguir juntar essas três peças às muitas que chegaram a Alvalade, então a pergunta deixará rapidamente de ser se o Sporting tem o plantel mais forte de Portugal.
Passará a ser outra: quem consegue pará-lo?





Visitar

